O ecossistema de negócios de impacto vem se transformando e amadurecendo muito no Brasil. Incubadoras e aceleradoras continuam surgindo, redes se fortalecem, muitos novos negócios são sonhados e alguns tomam corpo, acontecem. Ser uma empreendedora ou empreendedor é, além de uma provocação/enfrentamento pessoal ao sistema, um desafio. E empreender no Brasil não é igual para todas as pessoas.

Existem privilégios, oportunidades, dificuldades, potências e traços, sotaques e experiências diversas, dadas pelo gênero, origem, perfil socioeconômico e outras variáveis. Empreender sendo mulher não é igual a empreender sendo homem. As barreiras muitas vezes são diferentes. E assim, também acontece entre negros e brancos, heteros e a população LGBTQ+.

Empreender no norte é diferente de empreender no sul. O que atravessa nossas identidades, atravessa nosso empreender.

Circulando pelo país com o fazer da Move, conhecemos um pouco do que diferencia e une empreendedoras e empreendedores, e buscamos apoiar o pensar/avaliar/desenhar das iniciativas de impacto. Sem dúvida, uma oportunidade!

Em fevereiro, aconteceu o primeiro módulo do Programa de Aceleração da PPA – Plataforma Parceiros pela Amazônia. Quinze negócios da região foram selecionados e começaram oficialmente essa nova jornada de desenvolvimento. Nós, convidados pelo Idesam e juntos com os parceiros do Sense Lab, levamos o Modelo C como ferramenta para que empreendedoras e empreendedores trabalhassem suas narrativas de impacto de modo integrado aos modelos de negócios.

Fizemos perguntas, olhamos nos olhos, escutamos sinceridades, aprendemos. Conhecemos realidades, testamos/checamos teses de mudança, notamos limitações (também as nossas) defendemos a avaliação (útil e acessível), debatemos indicadores e, mais importante de tudo: vivemos relações de confiança que nos permitiram trocar. Na troca todos dão e todos ganham, sem medo. Confia-se. Fia-se, uns com os outros. E nesse fiar a rede fica mais forte, o ecossistema ganha, as ideias são turbinadas e o enfrentamento dos (tantos) problemas se reafirma e reluz.

Como avançar coletivamente, cuidar da Amazônia e do país sem trocas, sem confiança? Impossível, nos disse também essa turma amazonense com seus exemplos, iniciativas, palavras próprias e histórias. Mas como estabelecer confiança? Como se abrir para fiar com/juntamente? A resposta não é definitiva mas de certo, é preciso não ter medo de perder, sofrer algo. Não podemos querer ganhar sozinhos, sair por cima, explorar. Esse modelo não ajuda nas conversas, nos encontros mais potentes, na criação da tal confiança.

Lá em Manaus, algo bonito e forte está se fiando entre tais negócios e empreendedoras(es).

Por Antonio Ribeiro, consultor da Move