Há exatamente um ano, publiquei no site da Move um artigo considerando os dados da letalidade crescente da população negra no Brasil. A reflexão, muito bem calcada na realidade, deixou explícito que não é pela ausência de estatísticas que organizações brasileiras públicas e privadas se furtam do combate ao racismo.

Vemos, portanto, que em qualquer análise que se faça dos dados e estatísticas disponíveis, o recorte racial revela um cenário desolador. Olhando para estes dados uma pergunta ressoa: em que medida as organizações do campo social têm enfrentado este tema estrutural em suas iniciativas e em suas estruturas institucionais? O racismo é problema de uma sociedade inteira e, neste sentido, faz-se imperativo que o campo do impacto social positivo construa estratégias, internas e externas, de enfrentamento.

Nesse contexto é também importante que as avaliações sejam pautadas por práticas antirracistas, construídas por profissionais negras e negros (avaliadoras/es, pesquisadoras/es, equipes das organizações, etc) desde seus referenciais teóricos até sua análise de dados, a fim de construir leituras mais robustas que apoiem as organizações a olhar para a questão racial não apenas como recorte analítico, mas também como estruturante de seus lugares no mundo.

Por Walquíria Tibúrcio, consultora da Move